Afetos, estes queridos!

Gosto de fazer exercício de resgate literário. Releituras dos meus escritos e de alguns livros. Desta vez Lya Luft. Em seu “Perdas e Danos”. O Livro é aquele texto sobre o qual pensamos assim: Nossa! Era isso mesmo que eu queria dizer! No estilo de prosa é um livro recheado de histórias. E aí eu me convenço que pessoas gostam de histórias que são universais. Simples, cotidianas, obvias, mas histórias onde nós, os comuns mortais nos sentimos identificados. Fala de amores, de afetos, de filhos, família, das netas, das dúvidas existenciais e assim por diante.
Vale a pena ler.
Algo em especial me chama atenção. É onde ela escreve sobre o afeto.
Ah o afeto, esta benção humana.
É tão fácil. É de graça e enriquece. Aquece, enternece e suaviza.
Escreve Lia “ um ambiente duro em casa não prepara para enfrentar a dureza da vida, como alguns preconizam. Ao contrário: para saber defender-se no terreno violento em que vivemos preciso ter uma sólida raiz de afetos....Os buracos no chão do nosso passado não são terem nos dados apenas dois pares de tênis e duas calças, nenhum dos brinquedos eletrônicos modernos, nem aulas de balé ou idiomas. As falhas do terreno onde vamos cair, quebrando coração e cara, são provocados por um ambiente hostil, pais despreparados ou infelizes. Mais danosos do que a pobreza, escola ruim,.roupa modesta, casa simples, bairro suburbano ou excesso de trabalho. O solo firme serão as relações amorosas, bom-humor e carinho. Interesse”.
Nada mais óbvio, mas quem de nós costuma praticar o óbvio com facilidade?
Já que estou no terreno das citações, pontuo uma fala da Nélida Piñon: “Não abro mão dos meus afetos”
Afirmava nesta fala, que sua vida até mudara um pouco de status, com o reconhecimento público, mas os seus afetos lhe eram caros demais para mudar. Por isso achava um jeito de preservá-los e cultivá-los.
Será que este assunto está moderno e por isso tratado por pessoas públicas? Ou será que estas pessoas têm o privilegio de poder falar ao público verdades universais valendo-se do seu crédito como escritoras de sucesso?
Acredito que o assunto aflora pela refinada sensibilidade que estas pessoas desenvolveram e carregam consigo.
Ah o afeto esta benção humana!
Praticar o afeto é conta de multiplicar. A economia de afeto na conta bancária da vida é saldo negativo.
E o cotidiano, este vilão, está a espreita para nos cobrar dureza de decisões.
“Cuidado se você mostrar muito os dentes, tomam conta ...” Não é isso que ouvimos dos conselheiros de plantão ?
Olhe bem para estes: Carregam eles o brilho no olhar que pode enfeitar o mundo?
Tenho sérias dúvidas. Acho que estão mais para céticos. Secos de alma
Temo que se eu afirmar que gosto de abraços, de dizer palavras verdadeiras e gentis, encorajar as pessoas a irem em frente, não temer em afirmar que gosto das pessoas, que me interesso pelos seus pequenos sonhos, muitos podem me chamar de piegas.
Arrisco-me então a ser piegas!
Estava mesmo na hora de revisitar Lya Luft, Nélida Piñon e alguns poetas que andam engavetados na minha mesa de cabeceira.
Viva!
Leitores queridos, das minhas crônicas dos Legados do Cotidiano, eu amo vocês!
Sem medo de ser feliz....
By MLK

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Respostas a este tópico

Você é sempre pontual em suas falas e gestos.
Abreijos

Obrigada ITA. Amo você
.

Lu, também gosto muito da prosa de Lya Luft e conheço também a sua poesia, não menos bela. Realmente, nos encontramos nas suas vivências tão bem colocadas. Acho que li todos os seus livros e percebo que o corpo envelhece, mas a mulher completa permanece dentro dela. Assim nos sentimos e por isso nos identificamos tanto.
Um beijo,

QUERIDA JO

Perfeita a tua percepção. Obrigada pelo carinho.
abreijos

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